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Relógios lendários

Artigo
Relógios clássicos

Ao longo da história da relojoaria, foram muitos os modelos que ficaram para a história. Seja pelas inovações técnicas que introduziram, pelas abordagens estéticas que experimentaram, alguns tiveram mais impacto que outros, e tornaram-se verdadeiras lendas. Venha descobrir quais!

Cartier Tank

Cartier Tank

Data de 1919, e foi claramente inspirado nas então inovadoras máquinas de guerra utilizadas nos anos anteriores. Partir de algo terrífico e destruidor e transformá-lo num símbolo de elegância é prova da experiência e talento desta marca. Prova também a confiança na qualidade superior deste relógio, ao enfrentar sem medo a potencial (e mesmo provável) conotação negativa da denominação e aspecto estético do Cartier Tank.

Ao longo dos anos tem sofrido algumas alterações, sobretudo em relação ao seu formato, mas sempre se manteve fiel às características que fizeram dele um relógio único. Presente em muitos pulsos nos primórdios da sétima arte, usado por prazer e opção e não por obrigação contratual, como é hoje habitual.

Rolex Oyster

Rolex Oyster

O génio de Hans Wilsdorf, fundador da Rolex, levou à criação do primeiro relógio à prova de pó e de água, em 1924. Se hoje essa é uma função perfeitamente banalizada, presente em qualquer modelo de qualquer marca (nem sempre com a mesma eficácia), na altura em que surgiu o Rolex Oyster foi uma autêntica bomba. Este viria a tornar-se um dos símbolos da marca, e foi certamente o modelo que abriu portas à sua enorme popularidade ao longo dos anos.

Mais do que a inovação em si, foi marcante a prova da sua eficácia: estava no pulso de Mercedes Glaize quando atravessou o Canal da Mancha a nado, resistindo na perfeição a 15 horas seguidas dentro das agressivas águas do mar.

Jaeger-LeCoultre Reverso

Jaeger-LeCoultre Reverso

Aquando da presença britânica na Índia, os relógios dos oficiais do exército enfrentavam sérios perigos de sobrevivência: pareciam atrair sticks e bolas de pólo, um dos desportos mais populares nessa região. Como resultado, era frequente ficarem gravemente danificados.

Isto levou a Jaeger-LeCoultre, uma das mais conceituadas relojoarias mundiais, a patentear um sistema segundo o qual a caixa do relógio poderia ser virada, protegendo o mostrador em situações potencialmente perigosas. Inicialmente um sucesso, o entusiasmo por este sistema viria a esmorecer, e o Reverso esteve perto de ser descontinuado, não fosse a insistência de alguns distribuidores. E que perda teria sido!

Este relógio é uma verdadeira lenda, criado em 1931, e desde então pouco tem mudado: evoluindo, sem dúvida; mas sempre fiel às suas origens.

Breitling Navitimer

Breitling Navitimer

Lançado em 1952 como sucessor do Chronomat, o Navitimer depressa se tornou a referência em relógios vocacionados para a aviação. O seu antecessor gozara já de enorme sucesso durante a Segunda Guerra Mundial, mas a grande diversidade, utilidade e eficácia das suas funcionalidades levaram a que o Breitling Navitimer fosse adoptado como relógio oficial da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves.

Uma ferramenta crucial na assistência à pilotagem (e também preparação do voo), auxilia, por exemplo, no cálculo do consumo de combustível, velocidade média, conversão de milhas para quilómetros, e muito mais. Além disso, este Breitling tem uma estética bastante agradável e atraente, não se limitando à funcionalidade.

Omega Speedmaster

Omega Speedmaster

Quando a consagrada e popular Omega criou o Speedmaster, em 1963, dificilmente imaginaria que a sua criação iria passear não só nos cinco continentes, mas também… na lua!

Este modelo foi o relógio oficial adoptado pela NASA para o seu programa espacial, utilizado nas viagens espaciais e à lua até ao fim do programa Apolo. O que o torna ainda mais lendário é o facto de não ter sido especialmente concebido nem encomendado para esse efeito. O Speedmaster foi comprado por um funcionário da NASA de forma incógnita, numa relojoaria perto das suas instalações, juntamente com outros quatro relógios. Foi então submetido a testes rigorosos, nos quais teria que resistir, por exemplo, a grandes variações de temperaturas, pressão e aceleração extremas. E obviamente, foi o escolhido.

Audemars Piguet Royal Oak

Audemars Piguet Royal Oak

Há dois motivos principais que levaram à elevação do Royal Oak, de 1972, ao estatuto de lenda: o primeiro, e mais óbvio, é a sua estética original, sem chocar em demasia com os padrões pré-estabelecidos; o segundo é o facto de ser o primeiro modelo desportivo da alta-relojoaria.

O seu visual é claramente inspirado nas escotilhas de um navio – o HMS Royal Oak, que emprestou também o nome ao relógio. Este formato octogonal foi uma verdadeira lufada de ar fresco no design aplicado à relojoaria, e certamente uma inspiração para muitos outros modelos que se seguiram.

Ao mesmo tempo, a opção da Audermars Piguet em utilizar o aço como material e, dessa forma, quebrar com as convenções e antigos costumes, constituiu também uma manobra arrojada, mas que viria a ser bastante respeitada e apreciada.

Swatch

Primeiro Swatch

O relógio com que tudo começou. A invenção do movimento de quartzo deixou a indústria relojoeira suíça em estado de choque: os custos de produção extremamente baixos dos relógios de quartzo quase foram fatais para as grandes casas centenárias, que recorriam à tradição e à sapiência dos velhos mestres para a (demorada) elaboração e montagem dos movimentos mecânicos. O relógio Swatch, de 1982, veio fornecer um novo fôlego à indústria suíça, e não será raro ouvir um perito afirmar, com convicção, que a Swatch salvou a relojoaria suíça.

Apostando na simplicidade e nos baixos custos de produção, a Swatch recorreu a caixas em plástico e reduziu a complexidade dos componentes. Os números dizem tudo: ao virar do século contavam com 333 milhões de unidades vendidas.

Girard-Perregaux Turbilhão de Três Pontes

Girard-Perregaux Turbilhão de Três Pontes

O peso histórico que antecede este relógio de 1991 elevou a fasquia a níveis nunca antes vistos. O Turbilhão de Três Pontes foi originalmente concebido na segunda metade do século XIX, ainda que, obviamente, como relógio de bolso. Seria possível falar sobre este relógio durante horas a fio, mas podemos descrevê-lo com uma única palavra: “perfeito”.

As três pontes sustentam componentes cruciais dos mecanismos internos, mas além da sua funcionalidade, é a destreza ímpar que elas significam que torna este relógio incrível: já pensou que foram originalmente concebidas e construídas numa época em que não havia sequer o microscópio? Adicionalmente, o efeito estético é fantástico, criando uma sensação de beleza que é rara.

O relógio original venceu tantas distinções e prémios que a um dado ponto a sua participação em competições começou a ser vedada – seria injusto para os outros concorrentes…

Em 1991, a Girard Perregaux adaptou o Turbilhão de Três Pontes ao relógio de pulso, sem defraudar expectativas e fazendo justiça a este impressionante legado. E com tudo isto… tornando-se também ele uma lenda.

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