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Réplicas de relógios: cuidados e recomendações

Artigo
Relógio falso Rolex
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“Cuidado com as imitações!”

É uma expressão vulgar, mas infelizmente os enganos também o são. No que diz respeito aos relógios, acontece com frequência a mais: compradores regressarem satisfeitos de uma compra fantástica, pensando que conseguiram um óptimo negócio, para se aperceberem que pagaram por uma réplica.

Em termos de aspecto, as réplicas de relógios aproximam-se da perfeição, sendo por vezes necessário um perito para reconhecer a diferença entre esta e o original. No entanto, se visualmente são iguais, já o mesmo não se pode dizer em relação ao seu funcionamento, resistência e durabilidade.

Onde é feita a compra – ou a quem

factor que deverá ser, por si só, bastante elucidativo é o próprio local onde compra o relógio. As grandes marcas são bastante restritas no que diz respeito à escolha da sua rede comercial: não encontrará um Breitling ou um Patek Philippe em qualquer relojoaria. É altamente recomendado que recorra exclusivamente a lojas oficiais ou revendedores autorizados das marcas, e a melhor forma para saber quais são é consultar os respectivos websites oficiais. Caso exista uma relojoaria nas suas imediações que tenha a marca ou modelo que pretende, e não consta nessa lista, contacte o representante oficial no país para se certificar que os relógios à venda no dito estabelecimento são genuínos.

No caso de compras on-line, o caso é bem mais simples: a grande maioria das marcas não realiza vendas pela Internet. Isto não significa que todos os relógios de marcas de topo à venda na Internet são falsificações, mas a probabilidade de o serem aumenta exponencialmente. Além disso, por não serem comercializados por revendedores oficiais, não estão abrangidos pelas garantias internacionais da marca, entre outros privilégios.

Obviamente, este ponto aplica-se apenas à compra de relógios novos. Tudo muda quando está a comprar um relógio em segunda mão.

Nessas situações, o primeiro indicador de confiança será sempre o preço. Por muito boa que seja a oportunidade, se encontra um Rolex por €50, não se pode dizer que esteja a ser enganado, pois já saberá que se trata de uma réplica – e provavelmente de fraca qualidade. Mas aí terá que recorrer inevitavelmente a outros meios para se assegurar que não está a ser enganado.

Traços identificativos

Todas as marcas têm traços característicos, uns mais visíveis e conhecidos, outros nem tanto. Por muito parecida que seja uma falsificação com o original, nunca será exactamente igual. Caso não seja um conhecedor profundo da marca ou do modelo em que está interessado, poderá consultar um especialista que rapidamente lhe indicará um conjunto de características identificativas. Através destas pode mesmo fazer uma lista, confirmando item a item se estão presentes no modelo.

Em alternativa, poderá aceder ao website oficial da marca e consultar as informações detalhadas do modelo em questão, e e, nalguns casos, o manual de instruções até estará disponível para download.

Um exemplo flagrante com uma das marcas mais conhecidas: com a excepção de algumas edições limitadas, por norma a Rolex não grava qualquer informação no verso dos seus relógios. No máximo, terá um autocolante com um holograma verde, que inclui o logótipo e o número de série. Curiosamente, muitas das réplicas ignoram este pormenor e trazem elaboradas gravações no verso, que pretendem dar um ar mais genuíno.

Outra falha comum, também nas réplicas Rolex, é a coroa – a pequena roda com que se acerta a hora e data. Nos relógios genuínos, esta peça vem sempre gravada com o logótipo característico da marca, e é sempre uma peça única. Nas falsificações, o logótipo é frequentemente colado ou encaixado na coroa, algo facilmente perceptível com um olhar mais cuidado.

Optar por uma réplica: existe justificação?

Apesar da noção de réplica remeter muitas vezes para a falsificação barata e sem qualidade, poderão existir raras excepções. Sem nunca esquecer que o original é sempre melhor, nalgumas situações a opção por uma réplica pode ser aceitável.

Temos, para começar, locais em que o risco de assalto seja elevado. Se vai de férias para um local mais arriscado e não quer abdicar da sua imagem de marca, poderá optar por levar antes uma réplica. O ideal será abdicar de todo de usar um relógio, mas caso não seja capaz de o fazer, uma réplica pode minimizar o risco.

Em espaços de exposição pode também optar por uma réplica, sobretudo se for algo temporário. À semelhança das galerias de arte em que são expostas com frequência réplicas do original, como foi dito anteriormente, existem réplicas que duplicam o original de uma forma bastante próxima. Se pretende apenas algo para expor e “agradar à vista”, esta opção será mais que suficiente para o olhar destreinado (mas não para o olhar profissional e especializado). Este princípio aplica-se também a montras e vitrinas de relojoarias.

Mesmo no que diz respeito à própria funcionalidade, uma réplica não é necessariamente sinónimo de fraca qualidade – depende sobretudo da sua noção de qualidade e do seu grau de exigência. Se tiver um mínimo de cuidado e souber escolher o local de aquisição, poderá conseguir um relógio com uma qualidade minimamente fiável. Existem réplicas com valores a rondar os €500, que incluem até pormenores como banho em ouro, com uma relação qualidade-preço muito aceitável. Mas convém realçar que nunca uma réplica terá uma qualidade geral sequer próxima do original.

A respeito da fiabilidade, deverá também ter em atenção a proveniência da réplica. Se foi fabricada em países como a Suíça, Estados Unidos, Canadá ou Japão, terá uma segurança adicional. No outro extremo estão réplicas provenientes de outros países asiáticos, mais comuns e baratas, mas que não justificam o investimento, por muito baixo que seja.

Existem vários websites que se dedicam especificamente à venda on-line de réplicas de qualidade, assumindo perfeitamente a natureza dos produtos e oferecendo todo o apoio técnico. Para saber em quais pode confiar, consulte por exemplo o Replica Watches Reviews, que analisa e classifica os principais vendedores de réplicas.

Ainda assim, realçamos que não recomendamos de qualquer forma a aquisição consciente de uma réplica. Uma cópia não substitui nunca o original, e mesmo que pense que consegue enganar os outros, na verdade só estará a enganar-se a si próprio. Se deseja um relógio de topo e não tem condições para o adquirir, o melhor será sempre começar a sua colecção por um relógio autêntico de uma marca inferior mas ainda assim de óptima qualidade.

Já para não falar de que ao adquirir uma réplica poderá estar a apoiar um negócio ilícito, financiando meios de produção dúbios muitas vezes suportados por trabalhadores sem as mínimas condições sociais ou mesmo humanas. Tal como em qualquer outra área, ter um produto autêntico, mesmo que seja “apenas” um Swatch, garantirá sempre uma satisfação superior do que ostentar um Rolex falsificado.

Existem aliás vários outros argumentos de peso que poderão dissipar dúvidas quanto à escolha de uma réplica. Um deles é o facto de que, ao contrário do original, uma réplica nunca será um investimento, pois não irá valorizar com o tempo. Também não incluirão complicações – apenas terão, no máximo, uma imitação da sua apresentação, que obviamente, não funcionará.

A maior questão será inevitavelmente a da durabilidade. A assinatura da Patek Philippe garante que “nunca será dono de um Patek Philippe; apenas o guarda para a próxima geração”. Este princípio adapta-se na perfeição à generalidade das marcas de topo que são alvo de falsificação com grande frequência. A noção de hereditariedade de uma peça valiosa como um relógio é um dos principais aspectos que lhe acrescenta valor, quer material, quer – e mais importante – sentimental. 

Com toda a honestidade, acha que esse princípio se aplica a uma réplica?

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